notícia publicada por Laura
Sophie Turner na capa da Stylist Magazine
13.07.2017

Sophie Turner estampa a capa da edição de Julho da revista Stylist, e, além de um ensaio maravilhoso, o qual você pode conferir abaixo, a atriz ainda deu uma das entrevistas mais honestas de sua carreira, vale muito a pena ler. Vejam também os vídeos dos bastidores!

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Vídeo dos bastidores:

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Sophie responde as perguntas da Stylist:

Leia a matéria traduzida: 

Sophie Turner é engraçada, corajosa e está encontrando sua voz.

Sophie Turner é um turbilhão de contradições. Na sua página do Instagram, fotos da jovem atriz saindo à noite encarando bancadas de paparazzi na Paris Fashion Week, encontrando Hillary Clinton e, meu favorito, em uma premiação com um, sem saber, Ryan Gosling atrás dela, com a legenda: “Desculpa, garotos. Eu estou fora do mercado.”Ela é a protagonista de um dos dramas de maior sucesso e mais icônicos do tempo moderno, Guerra dos Tronos, ainda assim, na vida real, ela parece ansiosa sobre seu futuro. Ela cresceu no olhar do público, porém guarda sua vida privada fortemente. Ela é madura e se considera boba e ansiosa para aprender. Isso é o que é ter 21 em 2017.Em uma sessão de fotos para Stylist, Turner está de bom humor, considerando que esteve acordada desde as duas horas da manhã: ela acabou de voltar da Coachella, onde passou o final de semana com seu namorado, estrela do pop Joe Jonas. Ela está usando calças de treino brilhantes, tênis Converse e chega trazendo diversas bebidas Yakult para a equipe. Entre fotos, ela coloca a maior jaqueta bufante que já vi. Ela é uma das estrelas mais relaxadas e divertidas que a Stylist já fotografou, completamente impertubável enquanto pulava de um ramo de árvore para um balanço suspenso a 6 metros no ar, enquanto conversa sobre boybands e sujeira.

Sua facilidade no set, inevitavelmente, é graças a ter passado uma grande parte da sua vida em um. Turner interpreta Sansa Stark desde que Guerra dos Tronos estreou em 2011, depois que realizou sua primeira audição com 12 anos. Mas, ultimamente, ela virou a cabeça para outros mundos, tentando se misturar na indústria da moda e beleza (ela, recentemente, foi anunciada a embaixadora global da marca Wella e estreou na campanha de Louis Vuitton Outono/Inverno 2017 – junto com outros brilhantes jovens como Jaden Smith e Riley Keogh). No Met Gala desse ano, ela usou um vestido escultural de Louis Vuitton, consolidando seu relacionamento com a marca icônica de Nicolas Ghesquière.

É uma mudança que a sua personagem de Guerra dos Tronos, Sansa, iria sem dúvida aprovar. Nas últimas temporadas da série nós testemunhamos que Sansa começou a jogar o jogo e lutar por seu próprio poder depois de anos de abuso, submissão e falta de controle.

Portanto, ela endureceu muito: cortaram a cabeça de seu pai pelas ordens de seu sádico primeiro marido (agora morto); sua mãe teve a garganta cortada no casamento de seu irmão (ele também morreu); Sansa foi estuprada e sequestrada por Ramsay, seu segundo marido psicopata – e então ela assistiu calmamente enquanto ele morria por seus cachorros ao comando dela.

Com a sétima temporada se aproximando, Sansa está na casa ancestral dos Stark de Winterfell com seu povo jurando aliança a seu irmão Jon Snow (Kit Harington), uma coisa com a qual ela não parece particularmente feliz. Há alguns fãs que esperam que Sansa jogue seu próprio jogo para chegar no Trono de Ferro. Ela poderia lidar com isso. De todas as mulheres brilhantes na série, ela teve a maior evolução.

Guerra dos Tronos talvez não foi o que a família de Turner, de perto de Leamington Spa, estava esperando para sua filha mais nova (ela tem dois irmãos mais velhos, James e Will – que está “estudando epistemologia feminista na universidade”), quando ela começou a fazer aulas de atuação com três anos. E atuar sempre foi a meta: Turner até recusou um lugar na Royal Ballet School para alcançar sua meta. Assim como Guerra dos Tronos, ela estreou em X-Men: Apocalipse (2016) e na sequência desse filme (atualmente em pré-produção).

E ainda assim, seus planos imediatos são muito mais modestos: “Eu vou tomar um longo banho, usar sal Epsom pra caramba.”

Durante a última temporada, Sansa evoluiu. Essa evolução foi tão atraente para atuar quanto foi para assistir?
Houve uma transição em que ela passou de ser um peão no jogo de outros pessoas para passar a ser uma manipuladora. É realmente interessante ver essa mudança de poder – especialmente passando pela sétima temporada, você realmente a vê brincando com isso. Tem sido um arco incrível para mim.

Mais do que nunca, as mulheres de Westeros estão governando….
De alguma forma, isso se tornou uma batalha de rainhas. Eu continuo com minha visão de que Guerra dos Tronos é feminista, considerando que é fracamente baseado na era medieval e nos tempos Tudor onde as mulheres não tinham muito a dizer. Dar voz para essas mulheres e o poder que elas têm, para mim, é uma série um tanto quanto feminista.

Feminismo é algo que foi falado sobre na sua casa enquanto você crescia ou era presumido?
Nunca foi realmente falado sobre, mas eu fui para uma escola apenas de garotas [King’s High em Warwick] e nossa diretora era uma grande feminista. Nós costumávamos ter assembleias sobre coisas incríveis que as mulheres estavam fazendo, então foi algo que sempre esteve em nós. Mas durante a minha educação, nós nunca tivemos que falar sobre, porque nunca houve questões sobre igualdade e como isso é importante.

Foi chocante quando você saiu dessa bolha e experienciou a diferença entre gêneros?
Você pisa no mundo real e é como, ‘Oh, eu estou fazendo menos dinheiro do que esse cara que faz a exata mesma quantia de trabalho, que tem o mesmo valor que eu…’ É difícil colocar sua cabeça em volta disso, mas devagar e com firmeza as coisas estão mudando.

Você tem interpretado Sansa por seis anos; o que ela ensinou para você sobre como ser uma mulher?
Eu não adquiri nenhuma das características dela que eu gostaria de ter adquirido [risos]. Ela me ensinou que ser uma mulher é ter coragem e lutar sendo tão boa quanto os homens; é usar sua voz e o poder que você tem em ser uma mulher e usar essa vulnerabilidade.

Como você aprendeu a usar a sua própria voz?
Vindo para esse mundo, há uma certa plataforma que é dada a você e é meio que, automaticamente, lhe dado uma voz, mas minha dificuldade foi se eu queria essa voz ou não, porque eu tinha 13 anos e pensava, ‘Eu não sei se quero isso’. Foi apenas nos anos passados ou algo assim, que eu decidi que queria fazer algo positivo com isso, essa plataforma. Você pode fugir disso ou usar isso.

Você escreveu sobre sua viagem para Ruanda para encontrar os sobreviventes do genocídio de 1994. Por que esse projeto foi tão significante para você?
Eu quis fazer o projeto por causa da cena em Guerra dos Tronos onde Sansa é estuprada. Houve um tumulto tão grande [algumas pessoas reclamaram que era algo gratuito e muito longe dos livros] então, eu pensei: ‘Nós estamos falando tanto dessa cena de estupro da TV e foi um doas assuntos mais comentados no Twitter, mas ainda assim as pessoas estão sendo estupradas ou sexualmente abusadas todos os dias e você não vê isso nos assuntos mais comentados do Twitter, porque as pessoas não falam sobre isso.’ Eu decidi que isso precisa parar de ser um tabu. Meu time me falou sobre o Women For Women International [um projeto de caridade para apoiar mulheres marginalizadas] e eu sabia que queria me envolver.

Você deu algumas pinceladas na política esse ano, conhecendo tanto Hillary Clinton como Justin Trudeau. Qual foi sua impressão deles?
Eu conheci Hillary em um almoço da Women for Women em Nova Iorque. Nós não passamos muito tempo juntas, mas foi muito animador e o discurso que ela deu foi incrivelmente inspirador. Justin foi incrível. Ele foi muito agradável e ficou feliz em compartilhar suas opiniões políticas, mesmo sendo um feriado nacional e ele querer uma tarde de folga.

Você viu coisas que podem afetar muito a vida de outros, quais são as preocupações mais urgentes para você e seus amigos?
Com certeza, a situação política, tanto do Reino Unido quanto dos Estados Unidos da América, é preocupante. Uma das coisas que eu sou mais apaixonada sobre, porque eu fui indiretamente afetada por, é esse tabu ao redor da depressão. Amigos meus sofreram disso. Quando alguém fala, ‘eu estou depressivo’ ou ‘eu sou bipolar’, as pessoas automaticamente fogem.

As pessoas precisam se dar conta que depressão não é algo que pode ser curado, é apenas algo que você lida com. Falar sobre isso é muito importante e ainda há uma falta de representações em filmes e televisão. Eu iria amar interpretar alguém com depressão. Eu sinto que entendo bastante sobre.

Você acha que as redes sociais aumentaram os problemas de ansiedade para a sua geração?
Cem por cento. As pessoas podem dar suas opiniões sobre você anonimadamente, sem nenhum escrúpulo sobre quem estão machucando. Também sobre expectativa irrealista: você pode focar em uma foto e essa pessoa é perfeita e isso é, imediatamente, como você acredita que deveria parecer ou como sua vida deveria ser. Nós estamos meio que vivendo em um filtro agora. A única coisa que você não irá ver através desse filtro é você mesmo, o que pode realmente afetar você.

O quão importante tem sido manter amizades antigas?
Muito importante. Meus melhores amigos ainda são meus amigos do ensino médio. Quando eu comecei Guerra dos Tronos era um trabalho de cinco ou seis meses, então eu voltei para a escola, e eu encontrei meu equilíbrio. Agora, no meu tempo de folga, tudo que eu faço é festejar na universidade com meus amigos. É tão importante poder ter essa vida de ir para uma boate bem ruim e esperar na fila por horas e pagar um euro para vodbulls [vodca com red bull].

Nessa semanas de folga, você alguma vez já se sentiu com inveja ou aliviada por poder escapar?
Eu acho que eu vi o melhor da vida universitária. Eu festejo e então vou embora quando chega a hora das provas. Mas ainda há uma parte de mim que deseja ter ido para a universidade, ou espera ainda ir.

Por quê? Você sente que não ter ido para a universidade a colocou para trás?
Eu tenho esse sentimento de inadequação ou de que eu não tenho o direito de falar porque eu não fiz toda a minha educação, mas ao mesmo tempo eu tenho experiências diferentes. Eu sinto como se eu tivesse tido uma educação extensiva em outras coisa, mesmo que eu não consiga falar sobre história da arte porque eu não sei m*rda nenhuma sobre.

O set de Guerra dos Tronos está cheio de pessoas de diferentes idades. Como isso impactou você?
Me fez crescer muito mais rápido que o normal. As pessoas que eu conheço dizem que eu sou um tanto quanto madura – embora eu definitivamente não seja quando estou com meus amigos na universidade. A maior lição que eu tive foi como levar você mesma nessa indústria. Se eu tivesse feito um projeto com apenas um bando de adolescentes, eu provavelmente iria apenas f*der por aí, completamente. Talvez eu tivesse sido uma estrela criança toda bagunçada, mas eu não sou porque eu estive cercada por pessoas bem equilibradas e bem sucedidas.

Você já começou a pensar sobre o fato de que Guerra dos Tronos irá acabar ano que vem?
Sim, e me enche de ansiedade, porque é minha salvação e eu sempre pensei, ‘Graças a Deus eu tenho esse trabalho garantido.’ Agora que irá acabar, eu estou aterrorizada que as pessoas irão dizer, ‘Oh, é aquela garota que estava naquela série. Eu reconheço ela de algum lugar…’ [risos].

É algo que causa preocupações reais para você?
Meio que sim, mas também me anima. Vários projetos maravilhosos são filmados durante o verão e eu nunca pude aceitar fazê-los porque eu sempre estive trabalhando em Guerra dos Tronos. E eu posso mudar minha cor de cabelo [Sansa tem um vermelho flamejante]; eu posso ser uma camelão novamente. Há uma certa liberdade associada em não estar na série.

Você viajou tanto, você se sente enraizada em algum lugar?
Eu me sinto um pouco em todo lugar, eu tenho um apartamento em Londres, mas eu não gosto muito e estou no meio de uma mudança. Eu sinto que estou à deriva. Eu tenho um semi-lugar em Los Angeles e, claro, a casa dos meus pais, mas algumas vezes eu volto para o Reino Unido e eu não sei aonde ir, então é um pouco estranho no momento. Mas é por isso que eu estou feliz viajando tanto.

Quando você está viajando sozinha, você escuta podcasts ou música?
Eu escuto música. Eu cresci com Genesis e REM. Eu amo tudo isso.

Isso é puro rock de pai.
Sim, é as coisas do meu pai mas eu amo. Eu também gosto de Kehlani, Kendrick Lamar, Drake e Jamie XX, são tantos…

Você se descreveu previamente como passiva agressiva. Como você reconhece isso?
[Risos] Eu acho que eu reconheci isso muito cedo. Eu costumava ser muito passiva agressiva na escola, mas talvez isso é porque eu estava em uma escola só de garotas e há muita maldade em volta. É o único jeito de sobreviver. Você não pode ir completamente agressiva em uma escola só de garotas, senão o piercing do umbigo de alguém irá ser arrancado.

Você tem uma presença que só cresce no mundo da moda. Você sempre foi apaixonada por roupas?
Não quando eu era mais nova. Minha mãe costumava me vestir em leggings verde limão e em um blusão verde lima. Conforme eu cheguei aos meus 11 ou 12 anos e os garotos começaram a se tornar importantes, eu me senti como se precisasse me vestir para eles, e então eu me tornei mais experimental para mim. Eu me via testando diferentes coisas por horas na frente do espelho. Mas eu nunca teria a coragem de usar aquelas roupas.

Nicolas Ghesquière, o diretor criativo da Louis Vuitton, é um grande fã de ficção científica. Você tem conversas nerds com ele sobre Guerra dos Tronos?
Eu acho que a inspiração de Nicolas para muitas de suas coleções são mulheres guerreiras e é por isso que ele gosta de mim [Turner estreou em uma campanha outono/inverno de Louis Vuitton em 2017]. Eu falei com ele sobre Stranger Things outro dia, porque ele está obcecado e eu falava, ‘Você deveria ter pego a Millie Bobby Brown antes dela ter entrado naquela campanha com a Calvin Klein!’

O que mais você está esperando para os próximos meses?
Eu estou animada para o novo filme do Homem-Aranha. Eu estou animada para ter uma semana de folga e passar em algum lugar que eu amo, como Nova Iorque. Eu estou animada para celebrar todos os aniversários de 21 anos dos meus amigos e eu estou animada para o movimento político que eu sinto que é iminente. Eu também estou esperando estar cheia de trabalho. Eu tenho que me manter ocupada. Você não pode festejar na universidade por tanto tempo assim!

Fonte | Tradução: Juliana Piazza (Sophie Turner Brasil)